arrudiando lâmpadas
Três dias depois

Eles trocaram mensagens por celular, declarações nas redes sociais e um telefonema combinando a noite. Fotos românticas dos dois e mil corações. Ele tomou um banho mais demorado, cortou as unhas, passou gel, escovou os dentes e até enxaguante bucal usou. Ela levou uma hora e quinze minutos no banho. Usou os 17 cremes comprados cada um para uma parte do corpo. Maquiagem e escova. Brincos que combinavam com o cinto e salto alto. Ele a buscou em casa. Esperou cerca de 20 minutos no sofá da sala, sem reclamar. Servia-lhe de companhia o gato angorá, que o olhava com desdém.

Entre queijos e vinhos, relembraram o dia que se conheceram e como ela se surpreendeu com o jeito dele se aproximar e confessar o interesse. Ele confessou que estava de olho nela há muito tempo, mas não tinha coragem de chegar. Riram do dia em que ele foi à casa dela com a camisa vestida pelo avesso. Emocionaram-se com o dia em que ela foi internada por conta de um cálculo renal e ele foi à catedral pedir por ela. “Eu que nem tenho religião”, disse.

A noite passou rápido, mas o desejo não. Afagos e suspiros romperam a madrugada e já quase amanhecia quando ele a deixou em casa. Beijaram-se, ele não ligou o carro até que ela entrasse em casa. Minutos depois, tomavam banho e foram ao trabalho. Naquela manha, a produção caiu, mas a sonolência trazia aos dois lembranças da noite que tiveram e isso fazia tudo ficar melhor. No almoço, trocaram um breve telefonema para saber se estava tudo bem e voltaram ao trabalho.

Aos poucos, a vida prática foi retomando seu ritmo, o cotidiano se estabelecendo e os afazeres diários tomando conta de seus pensamentos. À noite, cansados, casa e cama. Cada um na sua.

Na sexta-feira, começaram a planejar o fim de semana. Os programas não eram um consenso. Ele queria bater uma bolinha com os amigos, depois, um churrasco. Ela até aceitava a bolinha com os amigos, afinal, tinha marcado cabeleireiro, mas queria assistir ao filme da Heloísa Perissé. Discutiram. Planos de churrasco e cinema deram lugar ao aniversário de uma tia dela, que eles não lembravam. Ele foi muito a contragosto, ela incomodada com a cara dele.

Não havia carne na festa da tia, porque ela é vegetariana. Tortas de legumes e um bolo com chantili faziam parte do cardápio. Sorte dele, ou não, havia cerveja na geladeira. Bebeu com os primos da namorada, e bebeu o suficiente para que ela reclamasse de sua postura. Discutiram. Foram embora mais cedo. Ele a deixou em casa. Mal ela desceu do carro, ele acelerou. Três dias depois, não havia mais mídia para lembrá-los que o namoro pode ser bom nos dias que não são dos namorados também.

 

Sobre ontem à noite

Havia, sempre há, um certo medo. Viriam os convidados? Eram os quitutes suficientes? Cerimônia, protocolo, etiqueta… Por mais calmo que sejamos, há uma certa aflição na exposição. 

Deu tudo maravilhosamente certo. O lançamento de “Uma árvore que dá o que falar” contou com cerca de 150 presenças, todas muito especiais. O ambiente aconchegante da Choperia Capim Teimoso, o som de Diogo Goulart e o cuscuz de Dona Marlene eram a combinação perfeita.

Tanta troca de energia boa! Tanto bem querer! A vida tem dado generosos frutos.

Amanhã nos encontramos para uma manhã de autógrafos no Armazém Cultural Midas.  

 

A poesia da prosa

A poesia o que é? Um gênero literário? Uma composição estruturada de forma harmoniosa? A beleza e a estética das palavras? Ou poesia é tudo aquilo que comove? Ah, os pontos de vista! Entendi, um pouco tarde, que nominar, rotular e esclarecer não é minha praia. Não tenho algumas aptidões, entre elas a de explicador. Além do mais, fazer poesia sempre foi difícil para mim. No suor de minha escrita, poesia é uma sequência pobre de rimas fáceis. Parei de tentar escrevê-las há alguns anos, ciente da mediocridade dos meus versos. A prosa me cai melhor. Digo isso morrendo de inveja de Dúnia de Freitas que costuma dizer “Eu sou poesia, o resto é prosa”. A poesia flui tão fácil em certas pessoas, não é mesmo?

Resignado, dei-me à prosa, meu refúgio na escrita. Incomodado, tratei a prosa com carinho, inseri metáforas e algum jogo de palavras. Sublimei fatos e dei imagens. Intitulei-me prosador poético. Encontrei meu caminho, pensei. Eis aqui um jeito de ser poeta escrevendo prosa. Afinal, quem disse que poesia é só verso e rima?

Em conversa com Rita de Cássia Alves, comentei cheio de segurança que eu escrevia prosa poética. Ela tinha nos olhos muito carinho, mas na língua um golpe seco: “Não. Você escreve prosa”. Não Rita, eu escrevo prosa poética, insisti. Ela mandou-me textos sobre o assunto e explicou que minha prosa era prosa. Como discutir com Rita? Seria o mesmo que lançar-me em suas teias e ser embrulhado por seus fios de agora.

Tempos antes, muito antes, conversei com o músico e multiinstrumentista Guilhermo Santiago. Ia uma época em que eu ainda me arriscava nos versos mal rimados. Falei para ele sobre a tal poesia inalcançável para mim. E ele me disse: “Jura, poesia é tudo que toca”. Ora, mas não existem elementos formais que caracterizam um texto poético? O que dizer de ritmo, versos e estrofes? E a métrica, essa irredutível invasão matemática na poesia? Seria eu um poeta ultra-moderno? Que abriu mão da forma e busca no conteúdo estéticas sentimentais? Ou ando a fingir que sou o que deveras não sou?

Sou prosaico com alguma inspiração poética. Desculpem-me a academia e os estudiosos do assunto e as teorias a respeito, porém vou ficar com a frase de Guilhermo, “poesia é tudo que toca”, porque sou das palavras, mas não da métrica; porque sou do sentimento e nem sempre meu sentimento tem o ritmo que quero dar-lhe, porque meus olhos enchem de lágrimas quando escrevo e isso talvez seja poesia. Por tudo isso, e porque minha teimosia é um barco à vela atravessando oceanos, que acredito haver poesia morando nessa prosa.

Em construção

         

Escreve sobre o amor quem tem teorias demais. Quem vive de projeções e expectativas, quem vislumbra, quem, à força da ilusão, crê cegamente. Escreve sobre o amor quem busca a perfeição do amor. Teorias são apenas pontos de partida, pois na vida vale a prática. Escrever sobre o amor é escrever, não é viver. Porém, se tem alguma coisa que a escrita faz a respeito disso é encantar. O escritor que tem teorias demais e que sabe dispô-la em belas palavras gera encantamento.

Muito bem, chega de teoria e retórica. Fui convidado por Juliana Yara Araújo a escrever para teatro uma história de amor, bem comum, como tantas. Uma história de amor que tem encontro, encantamento, união, desencanto, desunião, desencontro. Nasceu “Nós (e um laço)” que está em sua temporada de estreia na cidade.

O texto traz propositalmente frases e diálogos curtos, como curtos são os diálogos e as frases dos dias de hoje, em que nos encontramos mais na internet do que na vida. A intensidade, porém, perdura o tempo do espetáculo, tanto pela ideia dramatúrgica quanto pela direção de Lucas David, pelas luzes de Flávio Andrade e pela própria intensidade de Juliana e Jonas Raitz, que dão vida, muita vida, às personagens da trama.

A apresentação de estreia aconteceu na sexta-feira, dia 03 de maio, seguida de uma boa conversa sobre relacionamentos comandada pela psicóloga Lili Zacharias. Para surpresa desse teórico em relacionamento e romatismo, o texto de frases e diálogos curtos deram margem para uma discussão profunda e equilibrada. Resgato aqui duas frases do debate que dormiram comigo naquela noite: “nos enganamos pensando que a felicidade está na pessoa que encontraremos” e “nenhum relacionamento nasce pronto, eles precisam ser construídos”.

As personagens da peça buscam no outro o motivo da felicidade e encontram nesse mesmo outro a culpa pelo fracasso. Tem sido assim fora do palco também. Acreditamos tola e romanticamente que o amor perfeito nasce de um olhar, da poesia e do encontro dos lábios. Nasce nada! O olhar, a poesia e o beijo são faísca, para virar amor precisa de construção. Não há história que nasça pronta, nem amor que se estabeleça sozinho. Estamos em construção no universo e temos que construir nossas relações. É claro que não basta colocar os tijolinhos, é preciso suar para mexer a massa que vai uni-los, é preciso força para erguer a estrutura sólida, é preciso pausa e descanso para retomar.

No primeiro parágrafo devo ter dito que teorias são pontos de partida, pois está aí mais uma teoria. Como bem disse o poeta, a teoria sabemos de cor, só nos resta aprender.

 

E está acontecendo

Eram sonhos antes de se tornarem reais. Eram ilusões de um lunático. Mas eram também projetos de vida, que de tão grandes pareciam impossíveis.

Não eram. Em 2013 há muito para agradecer. Eu fiz uma lista para não esquecer de nada:

Realizações:

-       5 anos de crônicas publicadas semanalmente no Notícias do Dia

-       6 anos da peça “Uma Festa para Eulália” em cartaz (mar/13)

-       Estreia da peça “Vontade de Ser Mulher” (dez/12)

-       Estreia da peça “Nós (e um laço)” (mai/13)

-       Estreia do longa “Infância de Monique” (abr/13

-       Estreia do curta “A noiva de Tarantino” (ago/13)

-       Publicação da segunda edição de “Fritz, um sapo nas terras do príncipe” (abr/13)

-       Publicação de “Uma árvore que dá o que falar” (jun/13)

-       Publicação do miniconto “Nuvem na Montanha” em 40 mil saquinhos de pão do Mercado Ponto Bom (abr/13)

-       Publicação do conto “As Deslumbrantes do Tremembé” em antologia da Confraria do Escritor (abr/13)

-       Lançamento de “Uma árvore que dá o que falar” em Joinville (jun/13) e Recife (set/13)

-       Convite para ser membro honorário da Academia de Letras de SFS (diplomação em 28/jun/2013)

-       Citação de “Fritz” no livro Leituras em Contraponto de Sueli Cagneti

-       Oficina de Criação de Histórias na Feira do Livro de Jaraguá (jun/13)

-       Produção de “Rascunhos na Cidade” (em andamento)

-       Provável lançamento do livro infantil “O vento que me voa” (out/13)

-       Provável publicação do livro infantil “Livros para África” (ainda sem data)

História para encontrar a moça da padaria

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Era só um café na padaria, tão banal quanto qualquer coisa banal. Depois do trabalho, para jogar conversa fora. Pois foram dez minutos de conversa fora e a moça entra para desviar assunto e atenção. Era pequena, curvilínea e elegante. Trazia consigo uma joia no dedo que não parecia com aliança e um jovem que talvez fosse filho, talvez não fosse.

Ela pediu um suco de laranja e uma torta doce que ele não identificou porque estava mais interessado nos olhos dela. Ela retribuía com algum interesse, mas ele não encontrava palavras, nem qualquer, nem nenhuma. Além do mais, o menino estava ali, o anel estava ali, a timidez estava ali.

Uma perguntinha que fosse!

“Você não é professora? Parece tanto com alguém que conheço”. Ela responderia: “Não. Eu trabalho na empresa tal”. Diante de tal abertura, ele perguntaria: “Você não é esposa do Chico?” e ela responderia: “não, eu não sou casada”.

Trocariam telefones.

Mas essa artimanha não lhe ocorreu. Os minutos se foram, a xícara se esvaziou e ela saiu, não sem antes lançar-lhe um último olhar, que ele apenas retribuiu, preso em sua cadeira, inerte e tímido.

A probabilidade é que não se vejam mais e isso seja só uma história. Mas há possibilidade de ela ler essa história, e isso será só o começo.

Casa cheia na estreia e críticas super favoráveis. A temporada continua nos próximos dias 10,11,12,17,18 e 19, no Galpão da Cidadela.

O muro baixo do Maracanã

O Maracanã foi reaberto na semana passada após mais de dois anos em obras. É uma daquelas obras que se critica pelo alto investimento quando a Saúde está um caos no país. É uma das obras que compõem a gastança do governo para trazer um evento esportivo cuja herança pode não ser tão significativa se não mudarmos nossa cultura. Veja só, uma cultura de pão e circo, de bola nos pés e mãos sem livros; uma cultura de aceitação e resignação.

Por outro lado, as causas são muitas e cada um abraça a que quiser. Existe, pois, a causa da cultura futebolística, o circo, a catarse de um povo oprimido. Ainda que preferisse a construção de hospitais, a melhor remuneração dos profissionais de saúde e de educação, acho que pode haver conquistas após a Copa do Mundo. Isto, contudo não significa que eu concorde com a gastança.

Voltemos ao evento de reabertura do estádio. Times de ex-jogadores disputavam uma partida cujo ponta-pé inicial foi dado por um dos operários da reconstrução, nas cadeiras familiares de operários, na arbitragem três mulheres. Foi pois, um evento politicamente corretíssimo e um show de luzes. Os gols foram acontecendo, as ovações, os risos, a festa. Mas talvez o que de mais importante tenha sido feito no estádio, e de mais corajoso, foi a eliminação das cercas e do fosso que separavam torcida e gramado. Atente para o significado disso! É enorme.

Há, agora, no Maracanã, um muro baixo que separa torcida de jogadores. Qualquer um poderá saltar e invadir. E isso é ruim? Não! Mil vezes não! Isso é um avanço na evolução humana. Isso é dizer às pessoas: “nós confiamos em você e na sua capacidade de viver em sociedade”. O muro baixo no Maracanã talvez seja a primeira grande herança da Copa do Mundo ao país. Quiçá promova a consciência e a cordialidade em um país cujo histórico de guerras de torcida causa medo e constrangimento.

É um risco. Certo que é. Mas o que é a vida se não o risco? Karl Marx disse que o ser humano é produto do meio. Eu diria que o ser humano também é produto do meio. De uma forma ou outra, creio na influência do meio sobre o indivíduo e, exatamente por isso, acredito que o muro baixo do Maracanã vai coibir, com muito mais eficiência do que as grades, a invasão da torcida, o conflito e a selvageria. Ponha-me numa grade e eu desejarei escapar, acorrentem-me e ficarei agressivo, agridam-me e revidarei. Mas se você me deixar livre e apontar as consequências de meus atos, eu serei grato e consciente. O Maracanã está de volta e a Copa do Mundo vem aí. Que o muro baixo do Maracanã seja o início do tanto que podemos, humanos, evoluir, quem sabe ao ponto de nossos homens públicos não esbanjarem o dinheiro que não é deles.

Mato e mulher feia

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Deu de dar vontade de morar no mato e namorar uma mulher feia.

Entende o que digo? Não, é claro. O insano sou eu. Você quer um belo apartamento em bairro nobre ou no centro da cidade, uma mulher curvilínea, de academia, de Pintanguy e umas pernas torneadas, bronzeadas e à mostra. Você quer as calçadas da Vila Gastronômica para desfile. E um carrão. Ah! Que carrão diz muito sobre você, do quanto conquistou na vida, do quanto tem poder, do quanto tem bom gosto e do quanto pode gastar para satisfazer a mulher curvilínea, de academia, de Pintanguy.

Eu quero o mato, o cheiro do verde, um céu de estrelas, uma brisa imaculada para tocar meu rosto de leve num carinho divino. Quero um vento que me abrace forte, feliz por eu estar ali, e uma mulher feia, daquelas que escondem seu melhor para mostrar a dois. Uma mulher daquelas que a gente olha até sem desejar muito, mas que aos poucos vai descobrindo nela mais do que a aparência nos mostrava. Uma mulher que, ao tirar com um leve toque o cabelo do rosto, deixa-nos ver a beleza do gesto delicado, as unhas sem esmalte, mas bem cuidadas em suas mãos discretas; mulher que revela uma saudável despreocupação estética e que, por isso, é inteira e original.

Essa mulher tem nos olhos muito mais do belo que se procura, porque traz um brilho tímido de quem se sabe fora dos padrões, mas não perdeu a autoestima. Tem também um olhar desejoso de carinho e atenção ao qual é impossível não ceder. Se o conjunto não merece capa de revista, ela tem a beleza em detalhes, que serve para que o homem descubra e se encante aos poucos e suavemente. Ela tem dotes culinários ou artísticos e pensamentos profundos. Não se dá a superficialidades, vê além e vai além.

Para o mato que vou, a casa não precisa ser luxuosa, mas há de ter o aconchego das casas simples, um canto para livros e músicas, uma janela de correr e um horizonte para sonhar. No quintal, uns bichos de criação, uma horta e uma lagoa com peixes. Uma vaca com bom leite e um cavalo de olhar dócil, nem tanto para montar, mas para compor paisagem. Teremos, minha mulher feia e eu, momentos para semear e para olhar os temperos crescendo. Teremos, minha mulher feia e eu, momentos para uma boa música e para discutir o mundo. Teremos, minha mulher feia e eu, momentos para trocarmos carinhos num eterno balanço, numa varanda fresca, numa rede de amar. Convidaremos os melhores amigos e cozinharemos para eles. Riremos da vida e de nós mesmos. No inverno, assistiremos juntos a bons filmes sob o cobertor e brindaremos com chocolate quente a beleza de estarmos juntos e nos fazermos bem, no mato, minha mulher feia e eu.

 

 

Vamos tomar café juntos

 

(O Mercado Ponto Bom tem aberto amplo espaço para a cultura joinvilense. Fui agraciado com um convite para publicar um miniconto. Ei-lo impresso nos sacos de pão, indo para a casa de milhares de pessoas. Felicidade é pouco! Gratíssimo!

Abaixo o miniconto:

Nuvem na montanha

Gotas de chuva tamborilavam na varanda. A tarde ia lenta como há muito não se via. “É bom dar um tempo para as coisas, deixar o mundo entrar na gente”, pensava olhando ao longe nuvens cobrirem a Serra do Mar. Era envolvida pela atmosfera daquele dia, como se fosse montanha e a vida nuvem. Está bem melhor ser sozinha por esses dias.

A cozinha exalava um cheiro de pão assando, ela entrou, pôs a mesa. Leite, manteiga, geleia, xícaras e talheres sobre a toalha de renda não usada há anos. Chuva fina, café passando, tarde lenta, uma espera, um som de gente chegando. Entraram todos de uma vez, invadiram como nuvem a montanha que ela era.

- Oba! A vovó fez pão, a vovó fez pão!